17/10/2018 10h10
Plano de Haddad inclui ideias aplicadas em SP
O presidenciável Fernando Haddad (PT) levou algumas das polÃticas mais polêmicas desenvolvidas por ele quando prefeito da capital paulista para seu plano de governo nacional. Estão lá propostas como redução da velocidade nos centros urbanos, expansão de ciclovias, combate ao uso de drogas com programas de redução de danos - e não de repressão - e expansão do programa Transcidadania, que dá bolsa de estudos a travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade. O petista não se reelegeu prefeito em 2016 - perdeu para o tucano João Doria em primeiro turno.
Reverter a redução das velocidades nas Marginais do Pinheiros e do Tietê foi uma das principais bandeiras de campanha de Doria, que cumpriu a promessa logo no primeiro mês de gestão.
Parte da população reprovou também a decisão de Haddad de priorizar o transporte não motorizado. O petista implementou 317 km de ciclovias - o modelo de implementação dessas rotas exclusivas e das faixas para ônibus foi questionado.
O programa do governo do petista cita que, num eventual governo seu, será "promovido o transporte não motorizado, com a expansão de ciclovias e calçadas", e "desenvolvidas polÃticas para redução drástica dos acidentes e mortes no trânsito, com ações permanentes nas escolas, melhorias na formação de condutores e redução de velocidade nos centros urbanos".
Drogas
Na área da segurança e do combate à s drogas Haddad lista de forma discreta sua posição favorável a polÃticas de redução de danos.
"É preciso incentivar a abordagem cientÃfica e atualizada à luz dos protocolos reconhecidos internacionalmente como mais avançados e eficazes, fortalecer a rede de atenção psicossocial, permitir polÃticas de redução de danos e atuar com sensibilidade para abordar de diferentes e flexÃveis formas a prevenção em relação a grupos sociais distintos", diz o plano.
Em 2014, Haddad lançou o "De Braços Abertos", programa que incentivava o dependente a diminuir o uso da droga, sem internação e com oferta de emprego, moradia e renda. Criticado pela oposição - que o chamava "bolsa crack" -, o projeto levou usuários a reduzir o consumo em 88%, segundo a Prefeitura. Doria acabou com o plano.
Para o cientista polÃtico Carlos Melo, do Insper, as polÃticas citadas se tornam controvertidas porque tratam de mudanças culturais. "Quando se mexe com o comportamento das pessoas, a tendência é que haja resistência. Isso é cultural", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo