21/05/2018 17h20
'Pode haver alguém tão íntegro como eu, mas mais não tem', diz Alckmin
Defendendo-se das acusações de suposto recebimento de caixa dois na campanha de 2010, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira, 21, não haver alguém mais "Ãntegro" do que ele.
Reportagem da Folha de S.Paulo publicada no domingo, 20, revela que a concessionária CCR narrou ao Ministério Público de São Paulo ter contribuÃdo com R$ 5 milhões à campanha de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 através de caixa dois.
O tucano classificou a citação como "absurda" e disse que nem conhece o depoimento. "Tão absurdo, eu não tenho nem conhecimento disso. Pode haver alguém tão Ãntegro como eu, mas mais não tem", disse o tucano, em entrevista coletiva após palestra para alunos do Ibmec, na capital paulista.
Ao dar a resposta, Alckmin foi remetido a uma frase do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em janeiro de 2016, disse não haver uma "alma viva mais honesta" do que ele. Questionado sobre a associação da declaração, Alckmin afirmou que a comparação deveria ser feita com base em sua trajetória. "É só ver a minha vida, pode ver de A a Z."
O tucano, pré-candidato à Presidência da República, disse não "esperar" que haja uma perseguição contra ele. O empresário Adhemar Ribeiro, cunhado do polÃtico, é apontado como intermediário dos supostos pagamentos não declarados em campanhas de Alckmin. "Nunca participou como tesoureiro de campanha, nada disso", alegou o ex-governador. Ele declarou que a participação do cunhado nas campanhas foi apenas como "amigo".
Doria
Diante da reinclusão do ex-prefeito de São Paulo João Doria nas especulações sobre uma candidatura presidencial, em função do baixo desempenho de Alckmin nas pesquisas, o ex-governador atribuiu o movimento a uma "criação" da imprensa em busca de "novidade".
"A imprensa gosta de novidades, então criaram o Luciano Huck, depois criaram o Joaquim Barbosa, agora criam o João Doria. Estão desinformando a população, e nós vamos fazendo campanha", disse. Perguntado se o movimento pró-Doria não viria de seu próprio partido, Alckmin argumentou que foi eleito como presidente da legenda com 99,8% dos votos.
Manifesto
O PSDB, que tem Alckmin como pré-candidato ao Planalto, é uma das legendas patrocinadoras de uma manifesto a ser lançado no fim do mês pregando a união de um "centro democrático e reformista" nas eleições de outubro.
Alckmin afirmou que a proposta do grupo visa diminuir a quantidade de candidatos de centro no pleito. "Nós precisamos diminuir a fragmentação, você tem um número muito grande de candidatos que têm uma proximidade muito grande de propostas", citou. O tucano defendeu uma "convergência" mais ampla de partidos de centro nas eleições.
"Tolerância zero"
Durante sua palestra, Alckmin disse que os governos municipais precisam se integrar à s ações de segurança pública nas cidades do PaÃs. Ele defendeu um modelo que se inspire na polÃtica de "tolerância zero", adotada pelo ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani.
O presidenciável disse que as guardas municipais precisam, supervisionadas pela PolÃcia Militar, fazer também trabalho ostensivo contra a criminalidade, e não apenas segurança patrimonial. Para ele, os municÃpios receberiam recursos e metas para se integrarem ao combate contra o crime e efetivar ações de prevenção.
Fonte: Estadão Conteúdo