12/12/2017 13h40
Por governo de SP, Doria aposta na discrição
Após desistir de disputar o Palácio do Planalto e anunciar no sábado, 9, seu "apoio incondicional" à pré-candidatura do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito João Doria (SP) adotou uma estratégia discreta para tentar ser o candidato tucano ao governo paulista em 2018, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.
Os dois nomes que já se apresentaram formalmente para a disputa no PSDB - o sociólogo Luiz Felipe DÃvila e o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro - estiveram com o prefeito e foram sondados sobre uma possÃvel composição no ano que vem.
Interlocutores de ambos disseram que Doria mais ouviu do que falou, mas deixou clara sua intenção. Desta vez, porém, o prefeito tomou cuidado para não "queimar a largada". Doria espera que uma eventual indicação para a sucessão de Alckmin ocorra "por gravidade". Ou seja: vai adotar o estilo do governador de "jogar parado". Vai também dar demonstrações contundentes de lealdade ao padrinho e se engajar no projeto presidencial dele.
Viagens estão descartadas. A única que deve ocorrer no primeiro semestre de 2018 será para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na SuÃça, em janeiro. Alckmin e o presidente Michel Temer também deverão estar presentes no evento. Declarações públicas sobre a eleição paulista serão evitadas, bem como movimentos ostensivos de assédio à s bases tucanas no interior.
Auxiliares trabalham com os dois cenários na Prefeitura, mas já não descartam que, se não houver um gesto de Alckmin, Doria pode ficar no cargo e terminar seu mandato.
O prefeito defendeu na convenção do PSDB, realizada em BrasÃlia no fim de semana passado, que uma eventual prévia entre Alckmin e o prefeito de Manaus, Arthur VirgÃlio, ocorra em janeiro, e não em março como pede o tucano manauara.
"Hoje o PSDB tem quatro pré-candidatos em São Paulo: João Doria, (o senador) José Serra, DÃvila e Pesaro. A decisão só será tomada depois de resolvido o cenário nacional", disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB paulista.
Pressa
O dirigente quer antecipar ao máximo a escolha, assim como o prefeito - já os adversários nem tanto. "Não tenho pressa para fazer a prévia em São Paulo. Primeiro é preciso compor nacionalmente o arco de alianças do Geraldo", disse Pesaro.
Quando questionado sobre uma eventual disputa estadual, Doria tem respondido com a cautela que não teve em declarações anteriores sobre seu futuro polÃtico. "Sou candidato a prefeito da cidade de São Paulo, a prosseguir fazendo meu trabalho, como prefeito eleito com 3 milhões de votos."
Nesse xadrez interno, o principal adversário do prefeito agora é Serra, que está se movimentando em duas frentes. Mira no governo, mas não abandonou o sonho de disputar o Palácio do Planalto. Ambos, Doria e Serra, convergem na avaliação de que qualquer articulação será inútil. A palavra final será de Alckmin, e só dele.
Fonte: Estadão Conteúdo