30/06/2021 07h50
Projeto que afrouxa demarcação de terras indígenas avança
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara concluiu nesta terça-feira, 29, a votação do projeto de lei que afrouxa as regras de demarcação de terras indÃgenas sem alteração ao texto principal, aprovado na semana passada. A proposta é alvo de crÃticas da oposição e de lideranças indÃgenas, que realizaram ontem o terceiro protesto em uma semana. Com a conclusão dos trabalhos na CCJ, o projeto segue para apreciação do plenário. Depois dessa fase, o texto precisa ser enviado e aprovado pelo Senado, antes de ir à sanção ou veto presidencial.
Relatório do deputado Arthur Maia (DEM-BA), pela constitucionalidade do projeto, foi aprovado por 40 votos a favor e 21 contra na quarta-feira passada. No dia anterior, houve confronto entre PolÃcia Militar e Ãndios em frente à Câmara.
Única representante indÃgena do Congresso, a deputada Joênia Wapichana (Rede-RR) fez novas crÃticas ao texto - inconstitucional, segundo ela. "É lamentável como esta Comissão tem colocado a questão dos direitos dos povos indÃgenas, direitos constitucionais, direitos que deveriam ser considerados fundamentais, como cláusula pétrea, mas que passou por tratorada. E o relatório apresentado é totalmente inconstitucional. Nós estamos acompanhando esse trâmite e já o encaminhamos para as vias judiciais, se esse for o caso", disse.
As principais crÃticas se referem à abertura de brechas para a exploração de atividades econômicas e de impactos ambiental e social negativos, como mineração e extrativismo de madeira, por pessoas de fora das comunidades indÃgenas. Um dos principais defensores dessa abertura econômica é o próprio presidente Jair Bolsonaro.
A proposta também proÃbe a ampliação de terras indÃgenas já demarcadas e considera nulas demarcações que não atendam aos preceitos estabelecidos. O texto aprovado estabelece um marco temporal para definir o que são as terras demarcadas como território indÃgena. De acordo com a proposta, são consideradas áreas de nativos aquelas que, em 5 de outubro de 1988 - data da promulgação da Constituição - eram habitadas em caráter permanente por Ãndios ou usadas para atividades produtivas e obrigatórias para a preservação dos recursos ambientais necessários à existência dos povos nativos.
Reação
IndÃgenas voltaram a bloquear trechos de pistas e rodovia ontem em novos protestos contra o PL 490. Em São Paulo, cerca de 300 indÃgenas das comunidades guarani do Vale do Ribeira, segundo o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), interromperam o trânsito entre 6h e 9h30 no km 378 da Régis Bittencourt. Eles atearam fogo em galhos e outros materiais para fechar a pista e seguravam cartazes contra o Marco Temporal. "PL 490 é suicÃdio para indÃgenas", dizia um cartaz compartilhado nas redes sociais.
Em BrasÃlia, um grupo fez interdições no trânsito por volta das 11h na Esplanada dos Ministérios e na BR-259, que foi interditada na altura de Resplendor (MG), em ato de indÃgenas do povo Krenak, de acordo com a Articulação dos Povos IndÃgenas do Brasil. A Apib convocou uma mobilização nacional para hoje, em apoio ao Supremo Tribunal Federal e contra o Marco Temporal.
Os atos vão levantar ainda a bandeira contrária à "agenda anti-indÃgena" no Congresso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo