29/07/2020 18h20
Proposta de Toffoli por 'quarentena' viola direitos políticos, protesta entidade
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) declarou ser contrária à qualquer nova 'quarentena' para a candidatura polÃtica de juÃzes e desembargados. A nota foi divulgada na tarde desta quarta, 29, horas após o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, defender que o Congresso estabeleça prazo de oito anos para magistrados e membros do Ministério Público disputarem eleições após deixarem os cargos públicos.
"Já existem prazos estabelecidos para que juÃzes e promotores deixem cargos públicos para se candidatar. Portanto, a AMB é contrária a qualquer ato que vise ampliar o tempo de inelegibilidade eleitoral para membros do Poder Judiciário após afastamento definitivo da função pública", afirmou.
Segundo a AMB, propostas que ampliem os prazos para candidaturas de juÃzes 'violam os direitos polÃticos' dos membros da magistratura.
Atualmente, a Lei de Inelegibilidade prevê que magistrados e membros do Ministério Público devem deixar os cargos público seis meses antes de se candidatarem. O prazo de oito anos de 'quarentena' é imposta somente quando o juiz ou promotor foi alvo de aposentadoria compulsória.
O presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, defendeu estender esse prazo para todos os juÃzes que queiram se candidatar, afirmando que cabe ao Congresso levar a pauta adiante. Segundo ele, a medida evitaria a 'demagogia' de magistrados, promotores e procuradores que buscam 'aparecer para a opinião pública' utilizando de seus cargos e funções.
"Quem quer ser candidato, seja como magistrado, seja como membro do Ministério Público, tem que deixar a magistratura, tem que deixar o Ministério Público, e tem que haver um perÃodo de inelegibilidade sim", disse Toffoli, em sessão do Conselho Nacional de Justiça nesta manhã. ""A imprensa começa a incensar determinado magistrado e ele já se vê candidato a presidente da República sem nem conhecer o Brasil".
Toffoli não citou nomes, mas é forte a corrente de aliados e apoiadores do ex-ministro Sérgio Moro de que ele saia candidato à s eleições presidenciais de 2022. O ex-juiz da Lava Jato deixou a magistratura no final de 2018 para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, cargo que renunciou em abril ao acusar o presidente de ingerência na PolÃcia Federal. O próprio Moro nunca disse que pretende se candidatar à sucessão de Bolsonaro.
A declaração de Toffoli foi feita durante a análise de liminar do CNJ contra o juiz Douglas de Melo Martins, responsável por decretar 'lockdown' em São LuÃs, por participar de lives com conotação politico-partidária.
LEIA A ÃNTEGRA DA NOTA DA AMB:
"A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), maior entidade representativa da magistratura nacional, vem a público defender o direito dos juÃzes de participarem do debate público e da vida polÃtica do paÃs, sempre respeitando os limites legais.
Já existem prazos estabelecidos para que juÃzes e promotores deixem cargos públicos para se candidatar. Portanto, a AMB é contrária a qualquer ato que vise ampliar o tempo de inelegibilidade eleitoral para membros do Poder Judiciário após afastamento definitivo da função pública. Projetos com esse teor ferem o princÃpio da isonomia e violam os direitos polÃticos dos membros do Poder Judiciário. Uma afronta desproporcional ao direito fundamental dos magistrados ao exercÃcio da cidadania."
Renata Gil - presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros
Fonte: Estadão Conteúdo