12/10/2021 17h20
PSB vai ao STF contra Plano de Segurança de Bolsonaro que exclui feminicídio
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o novo Plano Nacional de Segurança Pública do governo federal, que abandona indicadores de feminicÃdio e mortes causadas por policiais. A mudança foi formalizada em decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no mês passado.
O partido diz que a gestão bolsonarista 'age deliberadamente para invisibilizar' ocorrências relacionadas à violência de gênero e à letalidade policial. "Tratam-se de dois grandes problemas de segurança pública no Brasil que recaem sobre grupos vulneráveis - as mulheres e a juventude negra periférica - e que têm se agravado atualmente", diz um trecho da ação.
O pedido é para que a mudança seja declarada inconstitucional por violar os direitos fundamentais à vida e à segurança pública e ao princÃpio da dignidade da pessoa humana. A nova polÃtica de Segurança Pública estabelecida pelo governo federal tem metas previstas até 2030.
O PSB lembra na ação que, sem uma classificação particular, os feminicÃdios e as mortes causadas por violência policial vão sofrer um apagão de dados, o que dificulta a definição de polÃticas públicas para proteger os grupos vulneráveis.
"Não há alegação de custo ao erário (como no Censo do IBGE), é simplesmente uma decisão de retroceder e ocultar as informações sem motivo nenhum para isso. São esses dados que permitem a formulação e o acompanhamento de polÃticas sociais especÃficas e efetivas no combate aos preconceitos de gênero e raça, garantindo o exercÃcio dos direitos à vida, à segurança pública e à igualdade", afirma o advogado Rafael Carneiro, que representa o PSB na ação.
Dados do Anuário de Segurança Pública apontam que, no ano passado, pelo menos 1,3 mil mulheres foram vÃtimas de feminicÃdio no Brasil, o que corresponde a um assassinato a cada seis horas e meia. A pesquisa aponta que os Ãndices de violência policial também vêm escalando: ações das Forças de Segurança deixaram 6,4 mil vÃtimas fatais em 2020, um aumento acumulado de 190% desde 2013.
Fonte: Estadão Conteúdo