10/07/2018 21h00
PT intensifica mobilização e tenta frear perda de aliados
O PT aproveitou a repercussão do imbróglio jurÃdico sobre a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, ocorrido neste domingo, 8, para reacender a mobilização da militância e dar fôlego à s conversas para a formação de alianças. Enquanto preparam uma agenda de manifestações para as próximas semanas, os dirigentes petistas sentaram-se à mesa com outras legendas neste inÃcio de semana na esperança de neutralizar a movimentação de aliados históricos na direção de outros candidatos nas eleições 2018.
Nesta terça-feira, 10, pela manhã, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), o vice-presidente Marcio Macedo e o deputado Paulo Teixeira (SP) encontraram-se em BrasÃlia com o presidente do PSB, Carlos Siqueira. Na reunião, ouviram de Siqueira que o partido de fato considera apoiar o pedetista Ciro Gomes na corrida ao Planalto. O PT reiterou, então, o desejo de selar um acordo nacional com o PSB e reforçou a disposição de apoiar candidatos pessebistas em Estados estratégicos, como Pernambuco. O PSB pernambucano é um dos maiores defensores de uma aliança com o PT, uma vez a legenda torce pela retirada da pré-candidatura de MarÃlia Arraes (PT) ao governo do Estado.
"Ele (Siqueira) disse que o PSB está entre duas tendências, que é o PT e o PDT. O que discutimos foi o apoio ao Lula em uma aliança formal", disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) ao Estadão/Broadcast. Os petistas aguardam a definição do PSB entre os próximos dias 20 e 22. "Este diálogo serviu para afirmar nossa disposição. Tem muitos lugares em que interessa ao PSB um apoio nosso", comentou o parlamentar.
Ainda nesta semana, Gleisi deve viajar a Pernambuco para conversar com o governador Paulo Câmara. A senadora também pretende ir à ParaÃba, onde deve se reunir com Ricardo Coutinho, também do PSB. Mesmo que os pessebistas fechem com o PDT, os petistas avaliam que a sigla pode ficar dividida e se alinhar ao PT. "O PSB é o partido que não se unificou nem para apoiar o Eduardo Campos (em 2014), então não temos a intenção de achar que nós vamos ser o fator de unidade do partido que não caminhou junto nem quando teve candidato", disse o lÃder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS). "Temos uma aliança prioritária com PSB e PCdoB", reforçou.
Ainda mantendo o discurso de que Lula será o candidato, lÃderes do PT citam entre aliados prioritários também o PCdoB, outra legenda cortejada por Ciro. Na segunda-feira, 9, após reunião da Executiva Nacional com o conselho polÃtico da campanha presidencial, representantes do comando petista também se reuniram em São Paulo com o presidente do PROS, EurÃpedes Júnior. No encontro, Gleisi Hoffmann, o vice-presidente Marcio Macedo e o ex-prefeito Fernando Haddad - tido como possÃvel plano B a uma chapa encabeçada por Lula - pediram o apoio do PROS à candidatura presidencial.
Mobilização
Nas ruas, o partido espera mobilizar a militância com atos até o dia 15 de agosto, quando promete reunir apoiadores para registrar a candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em BrasÃlia, e intensificar esforços na Justiça Eleitoral relacionados a uma possÃvel libertação do ex-presidente.
Na próxima sexta-feira, 13, está programado um dia nacional de mobilização em diversas cidades. Em São Paulo, o partido pretende organizar um ato na Avenida Paulista. Ao mesmo tempo, centrais sindicais devem realizar uma plenária em frente ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, principal palco do "vai-vem" de decisões no último domingo.
No dia 18, apoiadores de Lula querem aproveitar o dia em que se lembra o nascimento do ex-presidente da Ãfrica do Sul Nelson Mandela para organizar um "ato mundial" denominado "Mandela livre, Lula livre", pedindo a liberdade do petista e comparando a situação de Lula com a do lÃder sul-africano.
De 10 a 15 de agosto, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) prepara uma jornada com militantes saindo de vários lugares do PaÃs em direção a BrasÃlia. Além disso, um abaixo-assinado em defesa do ex-presidente vai circular entre apoiadores nas manifestações e na internet. "Vai haver um movimento crescente daqui para frente", declarou o deputado Paulo Teixeira.
Justiça
Na frente jurÃdica, os esforços para reverter a condenação e a prisão de Lula deve voltar à banca de criminalistas que o defendem no Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados não participaram da articulação de deputados para pedir um habeas corpus no Tribunal Regional Federal na sexta-feira, 6.
Além de Pimenta e Teixeira, Wadih Damous (PT-RJ) também foi autor do pedido de habeas corpus. Esse time ainda avalia se e como vão recorrer a instâncias superiores para insistir no pedido. Nesta terça-feira, a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Laurita Vaz, já negou um negou habeas que pedia a liberdade do ex-presidente.
Nos últimos dias, Lula e aliados têm admitido não ter mais esperanças na Justiça para livrá-lo da prisão. A única condição para a liberdade, citam, seria o Supremo pautar as ações que questionam a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância e revisar o entendimento vigente na Corte.
Fonte: Estadão Conteúdo