08/05/2021 19h10
Renan: Em 2018 'se escolheu o que havia de pior na política nacional'
Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) aproveitou uma entrevista neste sábado, 8, para alfinetar a famÃlia do presidente Jair Bolsonaro, em especial o filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro, e falar sobre as consequências do que classificou como tentativa de "purificação da polÃtica" nas eleições de 2018, no contexto da Operação Lava Jato. Para Calheiros, em nome disso, "se escolheu o que havia de pior na polÃtica nacional".
O senador, que foi denunciado na Lava Jato, rejeitou ainda a ideia de que "ressurgiu" a partir do momento em que assumiu a relatoria da CPI. Calheiros disse que estava fazendo um "jogo mais tático", contido, e que agora poderá ir mais ao ataque.
"De vez em quando, eu subia um pouco, mas contidamente. Agora estou podendo fazer isso mais no ataque, né, tentando construir algumas jogadas mais objetivas. Mas tenha a certeza que se é verdade, se no ano passado eu 'morri', neste ano eu não morro. Neste ano eu não morro, não", disse o senador, em referência à canção 'Sujeito de Sorte', de Belchior.
Para Calheiros, dentre os "estragos provados pela Lava Jato", a polÃtica foi "devastada". "A circunstância eleitoral em função dos estragos da Lava Jato possibilitou a substituição da polÃtica. E a eleição para presidente de alguém que estava na polÃtica há 28 anos, com todos os filhos na polÃtica, e até ex-mulheres na polÃtica - e pior, sendo contestado de ter feito ou não ter feito rachadinha com salários de servidores que integravam gabinete", disse o senador durante o programa 'Prerrogativas', transmitido pela Rede TVT.
Flávio Bolsonaro foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, no processo conhecido como das 'rachadinhas'. "Em nome da purificação da polÃtica, se escolheu - e espero que ele prove o contrário - o que havia de pior na polÃtica nacional. Foi esse o retrocesso que nós observamos no Brasil nos últimos anos. E isso exigiu uma resistência", disse Calheiros, para quem, desde os primeiros dias de governo Bolsonaro, os Poderes ficaram "sufocados e ameaçados permanentemente".
"Operação Lava Jato teve ganhos evidentemente, mas não ganhos que pudessem esmagar todos os limites do Estado Democrático de Direito. Criminalizou reputações, misturou condenados com inocentes, e deu no que deu, tivemos eleição em 2018 sob esse clima", concluiu o senador.
Fonte: Estadão Conteúdo