15/10/2017 18h40
Rodrigo Maia chama advogado de Temer de "incompetente"
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou neste domingo (15) de "incompetente" o advogado de defesa do presidente Michel Temer, Eduardo Carnelós. O parlamentar disparou crÃticas após Carnelós ter classificado como "vazamento criminoso" a divulgação dos vÃdeos da delação do operador financeiro Lúcio Funaro, que atingem Temer. "Não teve vazamento. O advogado é incompetente", disse Maia à Coluna do Estadão.
Os vÃdeos da delação de Funaro foram divulgados no site da Câmara em 22 de setembro, junto com os outros documentos relacionados à segunda denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) por organização criminosa. O material foi enviado pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, por meio de ofÃcio expedido em 21 de setembro, uma semana após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar a denúncia.
Após receber o ofÃcio da presidente do STF, o secretário-Geral da Mesa Diretora, Wagner Soares, determinou que os vÃdeos fossem divulgados. Soares assumiu o posto por indicação de Maia. A divulgação do material ocorreu na mesma semana em que o presidente da Câmara disparou duras crÃticas a Temer e ao PMDB, em razão do assédio dos peemedebistas a parlamentares do PSB com os quais o DEM negociava filiação.
Após Maia criticá-lo, o advogado de Temer divulgou nova nota neste domingo fazendo um "mea culpa". "Quando divulguei nota ontem, referindo-me a vazamento que qualifiquei como criminoso, desconhecia que os vÃdeos com os depoimentos de Funaro estavam disponÃveis na página da Câmara dos Deputados. (...) Não poderia supor que os vÃdeos tivessem sido tornados públicos. Somente fiquei sabendo disso por meio de matéria televisiva levada ao ar ontem.", afirmou.
"Jamais pretendi imputar ao presidente da Câmara a prática de ilegalidade, muito menos crime, e hoje constatei que o ofÃcio encaminhado a S. Ex.ª pela Presidente do STF, com cópia da denúncia e dos anexos que a acompanham, indicou serem sigilosos apenas autos de um dos anexos, sem se referir aos depoimentos do delator, que também deveriam ser tratados como sigilosos", acrescentou o advogado do presidente da República.
Na nota divulgada no sábado, 14, Carnelós criticou as autoridades que permitiram ou promoveram o vazamento, pois, na avaliação dele, elas deveriam "respeitar o ordenamento jurÃdico". Ele atacou também a imprensa, afirmando ser inaceitável a "publicidade espetaculosa à palavra de notório criminoso, que venceu a indecente licitação realizada pelo ex-PGR para ser delator, apenas pela manifesta disposição de atacar o Presidente da República."
No vÃdeo da delação, divulgado inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo, Funaro diz que era "lógico" que o ex-assessor especial do presidente Michel Temer José Yunes sabia que havia entregue a ele uma caixa com dinheiro em setembro de 2014. Diz, também, que Temer tentou favorecer empresas que atuam no porto de Santos (SP) durante tramitação da Medida Provisória (MP) dos Portos, em 2013.
Na primeira denúncia apresentada pela PGR contra Temer, por corrupção passiva, a presidente do STF também enviou para a Câmara os vÃdeos da delação da JBS, que basearam a peça acusatória. Da mesma forma, Rodrigo Maia ordenou que o material fosse divulgado no site da Casa, o que foi feito pela Secretaria-Geral da Mesa Diretora.
Fonte: Estadão Conteúdo