30/04/2018 07h19
Sarney volta ao Maranhão e tenta retomar o poder
Depois de 28 anos domiciliado eleitoralmente no Amapá, o ex-presidente José Sarney transferiu o tÃtulo de eleitor de volta para o Maranhão, sua terra natal e berço polÃtico. Sarney alega motivos pessoais para o retorno, mas, segundo amigos e colaboradores, o ex-presidente só fala em duas coisas: evitar o esfacelamento de seu clã e tirar a qualquer custo do Palácio dos Leões o governador Flávio Dino (PC do B), eleito em 2014 depois de 40 anos de domÃnio quase ininterrupto do sarneyzismo no Estado.
"O que Sarney pensa é em voltar ao poder no Maranhão. Nem é tanto pelo poder em si, mas por uma maneira de dar a volta por cima, de no final não ser um homem derrotado, marginalizado", disse o presidente da Academia Maranhense de Letras (AML), Benedito Buzar, um dos amigos mais próximos do ex-presidente. "Dino tem agido com uma agressividade terrÃvel contra os Sarney", completou.
Com 88 anos recém completados, Sarney mantém diariamente um espaço em sua agenda para receber os polÃticos locais. Três lÃderes de partidos da base de Dino disseram, sob anonimato, ter recebido propostas do ex-presidente para apoiar a pré-candidatura de Roseana Sarney (MDB) ao governo.
Apesar da atividade polÃtica intensa, o ex-presidente tem colhido fracassos na tentativa de minar a ampla aliança que dá sustentação a Dino. Articulações para trazer o DEM, PP, PRB até agora falharam. As manobras para filiar a ex-governadora ao DEM e o filho Zequinha (PV) ao PSD também fracassaram. "A falta de um cargo atrapalha", disse Buzar.
Simbólico
A famÃlia nega que o patriarca esteja envolvido diretamente nas articulações. "Não tenho visto muito esforço dele neste sentido", disse o neto Adriano Sarney, deputado estadual pelo PV. Para ele, o significado do retorno de Sarney para o Maranhão é mais simbólico do que prático. "Mas meu avô sempre diz que a polÃtica só tem a porta de entrada", afirmou Adriano.
Na terça-feira, quando fez aniversário, o ex-presidente disse a amigos que pretende sair do luxuoso apartamento avaliado em R$ 4 milhões onde mora, no bairro Ponta da Praia, e voltar para a antiga casa da famÃlia na praia do Calhau. Sarney reclama que a vida em condomÃnio, com portarias e elevadores, dificulta os contatos polÃticos, ao contrário da casa avarandada do Calhau, onde o portão está sempre aberto.
Segundo amigos e aliados, há muitos anos Sarney não passava tanto tempo em São LuÃs.
Na quarta-feira foi para Nova York onde deve acompanhar as cirurgias no joelho da mulher, a ex-primeira-dama dona Marly, de 85 anos. O casal foi acompanhado de filhos e netos no jatinho particular do empresário Mauro Fecury, dono da Ceuma, uma das maiores universidades privadas do paÃs.
O próximo passo, segundo amigos, é abandonar de vez BrasÃlia, onde mantém uma casa, para se estabelecer apenas em São LuÃs. O que impede é a polÃtica. A ligação de Sarney com o poder federal é, hoje, mais do que nunca, uma das principais fontes de poder do clã. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo