25/10/2019 13h30
'Se a gente não cuidar das pessoas este País vai implodir', afirma Luciano Huck
Indagado sobre a possibilidade de ocorrerem no Brasil manifestações de rua semelhantes à s que têm balançado o Chile nos últimos dias, o apresentador Luciano Huck, apontado como possÃvel candidato à Presidência em 2022, disse que, se o Estado brasileiro não aliar polÃticas sociais eficientes à s ações liberais, o PaÃs pode sofrer uma convulsão social em médio prazo.
"É óbvio que a gente tem que tentar construir um PaÃs eficiente em termos de gestão, mas ele tem que ser afetivo. Se a gente não cuidar das pessoas, este PaÃs vai implodir porque ele é muito desigual", disse Huck durante o 12º Encontro de LÃderes da Comunitas realizado nesta sexta-feira, 25, em São Paulo.
Diante de uma plateia composta por governadores e alguns dos mais importantes empresários do PaÃs, Huck disse que o Chile, até pouco tempo apontado como exemplo de eficiência fiscal e de sucesso do modelo liberal, deve servir de exemplo para o Brasil.
"O Chile, quando você conversa com os liberais, até 15 dias atrás era o 'state of art' (estado de arte). Só que esqueceram das pessoas. Então virou exemplo de eficiência sem afetividade. O que está acontecendo no Chile tem que ser uma lição", disse o apresentador.
Huck, mais uma vez, se esquivou de responder se pretende ser candidato em 2022. Segundo ele, a discussão é prematura, faltando três anos para as eleições. Questionado sobre as candidaturas avulsas, disse ser contra. O apresentador, no entanto, afirmou que pretende continuar participando e opinando sobre os grandes problemas nacionais.
O modelo liberal, disse, deve ser acompanhado daquilo que chama de "afetividade", sob o risco de a desigualdade social, em algum momento, gerar reações populares semelhantes à do paÃs andino.
"Concordo com as teses liberais. O que eu tenho dito aqui na (Avenida) Faria Lima (centro financeiro de São Paulo) é que, se o PaÃs estiver crescendo, for mais eficiente, desburocratizado, com acesso ao crédito e se você puder sair na rua e não for assaltado, está bom. Está tudo certo. Mas existe um outro lado de São Paulo e do Brasil que precisa de muita atenção e o Estado vai ter que participar", afirmou Huck. "Não acho que vá eclodir alguma manifestação popular no curto prazo no Brasil, mas se a vida não melhorar para valer...", sugeriu o apresentador.
'Proteção social'
CrÃtico dos governos do PT, Huck admitiu que o governo Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu levar até a ponta polÃticas sociais - algumas, segundo ele, iniciadas no governo Fernando Henrique Cardoso - que melhoraram a vida das pessoas.
"Outro dia fui para Bom Jesus do PiauÃ. Lindo. Quando você vai para os vilarejos ali você entende, com todo o respeito, o Lula é muito respeitado ali. Obviamente muito da polÃtica que veio da dona Ruth (Cardoso), tem uma herança de dois governos que trabalharam de forma contÃnua em projetos de proteção social. Mas quando você chega em Bom Jesus do PiauÃ, você chega na casa do seu João e tem um fio que veio de longe pra caramba, uma geladeira que ele não tinha, uma cisterna que custou R$ 3 mil e trouxe água que ele não tinha também, a famÃlia tem R$ 180 do Bolsa FamÃlia porque não tinha renda nenhuma. Bem ou mal é o Estado e a polÃtica pública que chega na ponta", disse Huck.
Fonte: Estadão Conteúdo