28/01/2022 18h10
Simone Tebet defende cotas para mulheres em assembleias legislativas e diretórios
Única mulher com pré-candidatura confirmada à Presidência da República, a senadora Simone Tebet defendeu, nesta sexta-feira, 28, projeto de lei que estabelece cota de 30% para parlamentares do gênero feminino em assembleias legislativas do PaÃs. O texto, aprovado pelo Senado em outubro do ano passado, prevê aumento gradual do número de cadeiras garantidas a elas entre as eleições de 2024 e 2038.
"ComeçarÃamos com 18% em 2024 para chegar paulatinamente em 30% em 2040. É para deixar confortável e dizer que não estamos querendo nada que não seja do nosso direito", disse em encontro promovido pela ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy que reuniu 35 mulheres em posições de liderança para a formulação de propostas de polÃticas de gênero para os presidenciáveis. As ideias prevalentes serão publicadas em carta aberta.
O evento, chamado "Juntas pela Democracia", contou ainda com a presença de figuras como a deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), a pesquisadora de polÃticas públicas e mulher do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, Ana Estela Haddad, e a presidente da OAB-SP, PatrÃcia Vanzolini.
Simone propôs que o documento iniciasse com o apelo para que o próximo presidente não proponha ou apoie projetos que "resultem em retrocesso no que se refere ao empoderamento da mulher, no combate de gênero e no combate à violência". A sugestão foi prontamente atendida por Marta, que se sentava ao centro da mesa à frente do salão onde a reunião ocorreu.
A senadora defendeu ainda que a cota de 30% também seja exigida na composição dos diretórios nacionais dos partidos, para favorecer a distribuição de verbas de campanhas às candidaturas femininas. Atualmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que este mesmo porcentual dos recursos do fundo eleitoral seja destinado às mulheres das siglas. No entanto, o montante pode beneficiar apenas um número reduzido de candidaturas e os dirigentes das legendas podem alocá-los como quiserem. "As mulheres que estejam lá na executiva vão buscar outras que têm voz e voto como vocês", declarou à plateia"
Ela também defendeu que 10% das moradias distribuÃdas em programas de habitação popular beneficiem mulheres vÃtimas de violência doméstica. Atualmente, praxe neste tipo de polÃtica que as chaves das residências sejam entregues à s mães de famÃlia, mas não há um recorte especÃfico como o proposto pela senadora.
Outra medida encampada é a punição a empresas que paguem salários menores a mulheres pelo exercÃcio de funções similares à s dos homens. "Já existe um projeto que garante igualdade entre homens e mulheres na iniciativa privada com multa de até cinco vezes a diferença salarial em todo o perÃodo em que ela trabalhou ganhando menos", destacou a lÃder da bancada feminina no Senado.
Marta defendeu que escolas adotem aulas de educação antirracista e de conscientização contra o machismo. Ideias similares a essa foram endossadas por outras figuras como a diretora do Centro de Excelência e Inovação em PolÃticas Educacionais, da FGV, Claudia Costin.
Fonte: Estadão Conteúdo