11/01/2023 20h00
Sônia Guajajara defende demarcação de terras e revela recriação de Conselho
A ministra dos Povos IndÃgenas, Sônia Guajajara, defendeu que a demarcação de terras indÃgenas seja vista como uma polÃtica de combate ao desmatamento e à emergência climática. "Se, antes, as demarcações tinham enfoque sobretudo na preservação da nossa cultura, novos estudos vêm demonstrando que a manutenção dessas áreas tem uma importância ainda mais abrangente, sendo fundamentais para a estabilidade de ecossistemas em todo o planeta, assegurando qualidade de vida, inclusive nas grandes cidades. Daà a importância de reconhecer os direitos originários dos Povos IndÃgenas sob as terras em que vivem", disse Guajajara, durante sua cerimônia de posse, realizada há pouco no Palácio do Planalto com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Guajajara, a proteção dos biomas, decorrente da preservação das terras indÃgenas, das unidades de conservação e dos territórios habitados por comunidades tradicionais, é "essencial" para qualquer produção agrÃcola. "Pois garante água, garante a presença de agentes polinizadores e de tantos outros fatores sem os quais, nada se produz. As terras indÃgenas são importantes aliadas na luta contra o aquecimento global e fundamentais para a preservação da nossa biodiversidade", disse.
A ministra lembrou que o Acordo de Paris e a Declaração de Nova York para Florestas Tropicais das Nações Unidas reconheceram o conhecimento dos povos e comunidades tradicionais como conhecimentos cientÃficos e como uma das "últimas alternativas para conter a crise climática". "É preciso que este conhecimento saia dos tratados internacionais, e seja valorizado na prática, por todo o território nacional, por meio de polÃticas locais, considerando a diversidade de povos, culturas e territórios", apontou.
Conselho Nacional de PolÃtica Indigenista
Sônia destacou que a criação da pasta sinaliza ao mundo o compromisso do Estado brasileiro com a emergência e justiça climática. Além disso, anunciou a recriação do Conselho Nacional de PolÃtica Indigenista, que garante a participação paritária entre representações indÃgenas de todos os Estados e órgãos do executivo federal. "Estados diante de uma crise humanitária", disse, na solenidade de posse nesta tarde no Palácio do Planalto.
"Sinaliza para o mundo, o compromisso do Estado brasileiro com a emergência e justiça climática, além de inclusão, reconhecimento e inÃcio da reparação histórica, da invisibilidade e da negação de direitos", disse, emendando que este ministério é "de todos os povos indÃgenas do Brasil, além de patrimônio do povo brasileiro, pois cada indÃgena vivo representa um guardião climático da mãe Terra."
Guajajara apresentou a equipe do ministério, formada por Eloy Terena, secretário executivo; Jozi Kaigang, chefe de gabinete; Eunice Kerexu, secretária de Direitos Ambientais e Territoriais; Ceiça Pitaguary, secretária de Gestão Ambiental e Territorial IndÃgena; Juma Xipaia, secretária de Articulação e Promoção de Direitos IndÃgenas; e Marcos Xucuru, assessor especial do MPI.
"É urgente promovermos uma cidadania indÃgena efetiva", ressaltando que isso "não se faz sem demarcação de territórios, proteção e gestão ambiental e territorial, acesso à educação, acesso e permanência à universidade pública, gratuita e de qualidade, ampla cobertura e acesso à saúde integral". O ministério se compromete com a promoção de uma polÃtica indÃgena em todo o território nacional, finalizou.
Fonte: Estadão Conteúdo