14/11/2019 09h32
STF invalida norma no PA que previa redução de salário de servidor réu
Por unanimidade, o Plenário do Supremo, em sessão virtual, declarou a inconstitucionalidade de norma do Pará que prevê o desconto de vencimentos de servidores públicos que se encontram efetivamente afastados de suas funções por causa de processos criminais não transitados em julgado. A decisão se deu na análise da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4736, ajuizada pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), informou o site do Supremo.
A regra está prevista no artigo 29, parágrafo 1.º, da Lei estadual 5.810/1994 (Regime JurÃdico Único dos Servidores Públicos Civis do Estado do Pará). O dispositivo que estabelece que o servidor preso em flagrante, pronunciado por crime comum, denunciado por crime administrativo ou condenado por crime inafiançável será afastado e receberá, durante esse perÃodo, dois terços da remuneração, excluÃdas as vantagens devidas em razão do efetivo exercÃcio do cargo.
Caso seja absolvido, terá direito à diferença.
PrincÃpios constitucionais
O relator, ministro LuÃs Roberto Barroso, afirmou que os princÃpios constitucionais da presunção da inocência, da ampla defesa e da irredutibilidade de vencimentos vedam a existência de qualquer dispositivo legal estadual que proponha a redução de vencimentos ou de remuneração na ausência de decisão condenatória transitada em julgado.
Ele apontou ainda que a jurisprudência do STF é pacÃfica no sentido de que 'é incompatÃvel com Constituição Federal norma que estabeleça a redução de vencimentos de servidores públicos que respondam a processo criminal'.
De acordo com o ministro, se o acusado, no processo penal, é presumidamente inocente, não lhe pode ser atribuÃda nenhuma sanção jurÃdica automática pelo simples fato de ter sido acusado criminalmente ou por ter sido pronunciado em procedimento especial do júri.
O relator ponderou que, no âmbito administrativo, acontece o mesmo. Só após processo administrativo regular, em que deve ser proporcionada a ampla defesa, o servidor pode vir a ser privado de seus vencimentos, ainda que de modo parcial.
Fonte: Estadão Conteúdo