25/09/2019 08h10
Tema indígena domina discurso de Bolsonaro na ONU e gera embate
A expectativa era que as queimadas na Amazônia tomassem a maior parte da fala de Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da ONU, mas o tema que dominou o discurso do presidente foi questão indÃgena no Brasil. Bolsonaro falou em "ambientalismo radical" e "indigenismo ultrapassado" ao ler uma carta atribuÃda a uma comunidade indÃgena, e criticou o lÃder da etnia caiapó cacique Raoni, indicado ao prêmio Nobel da Paz.
Segundo Bolsonaro, o cacique é "peça de manobra" de governos estrangeiros. "Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos Ãndios como verdadeiros homens das cavernas", disse Bolsonaro.
Acompanhado da indÃgena Ysani Kalapalo, do Xingu, que se declara uma "indÃgena do século 21", Bolsonaro improvisou em relação ao discurso que tinha levado escrito e decretou: "Acabou o monopólio do senhor Raoni", ao argumentar que Ysani teria poder de representatividade dos povos indÃgenas por ter sido endossada em carta do Grupo dos Agricultores IndÃgenas do Brasil, assinada por 52 etnias.
Repúdio
LÃderes indÃgenas brasileiros que estão em Nova York para acompanhar a marcha contra as mudanças climáticas e a Cúpula do Clima da ONU fizeram uma forte manifestação de repúdio à s declarações do presidente. "Hoje foi um dia de terror para os povos indÃgenas do Brasil e do mundo. Bolsonaro fez um discurso de intolerância e muita truculência. Essa fala será histórica, infelizmente, porque mancha o legado brasileiro nas Nações Unidas", afirmou Sônia Guajajara, da Terra IndÃgena Arariboia, no Maranhão, e coordenadora executiva da Articulação dos Povos IndÃgenas do Brasil (Apib).
Citado por Bolsonaro, o cacique Raoni Metuktire estava previsto para falar com a imprensa nesta terça-feira, 25, mas passou mal e se dirigiu para o aeroporto para retornar ao Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo