21/02/2018 07h40
Temer investe em nova agenda e Bolsonaro reage
O presidente Michel Temer pretende lançar medidas de apelo popular, a exemplo da intervenção na segurança pública no Rio. A ideia é passar uma imagem de "governo de resultados", mesmo com ações antigas, e ter um discurso que vá além do que o núcleo polÃtico do Palácio do Planalto chama de "economês". Embora negue publicamente, Temer tem demonstrado disposição de se candidatar a um novo mandato.
Com a intervenção no Rio, Temer virou o principal alvo de postulantes à sua cadeira. Dono de impopularidade persistente, ele acirrou a temporada de ataques ao anunciar a inédita medida, além da criação do Ministério da Segurança Pública, também defendida pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB.
O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi um dos primeiros a reagir. Em vÃdeo postado nas redes sociais, o pré-candidato chamou de "polÃtica" a intervenção e aumentou o tom contra o presidente. Questionado por um interlocutor se Temer estava roubando sua bandeira da segurança pública, respondeu: "Temer já roubou muita coisa aqui, mas o meu discurso ele não vai roubar, não". O vÃdeo foi gravado pelo site Poder 360.
"É uma intervenção polÃtica que ele está fazendo. Ele agora está sentado, lá não sei onde, tranquilo, deitado. Se der certo, eu vou torcer para que dê certo, glória dele. Se der errado, joga a responsabilidade no colo das Forças Armadas." A ordem no Planalto foi não responder aos ataques de Bolsonaro.
Estratégia
Além do aumento, acima da inflação, nos benefÃcios do Bolsa FamÃlia, previsto para ser anunciado até abril, a equipe de Temer apressa a estratégia para mostrar que está enxugando a máquina pública e as estatais, com planos de demissão voluntária, apesar das inúmeras indicações polÃticas e de gastos com imóveis desocupados.
O governo está fazendo pesquisas semanais para saber quais devem ser as prioridades nos próximos seis meses. Um dos cenários avaliados pelo Ibope mostrou que os entrevistados têm mais preocupação com saúde (41%), combate à corrupção (16%), desemprego (15%), educação (10%) e segurança pública (7%). Questões econômicas aparecem em último lugar. Em algumas sondagens, no entanto, a segurança lidera a lista de apreensões dos eleitores.
Por causa da decisão de convocar as Forças Armadas, a reforma da Previdência foi engavetada no Congresso, pois alterações na Constituição são proibidas enquanto durar a medida. Para a oposição, a iniciativa tomada no Rio teve caráter eleitoreiro.
"O governo mostra que está esperneando, que trocou de agenda saindo da impopularÃssima reforma da Previdência com um factoide de grande comoção no Rio de Janeiro", afirmou o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Planalto, após chamar Temer de "figura enojante".
Sem a Previdência e com uma agenda alternativa de difÃcil entendimento no Congresso, como a proposta que prevê a autonomia do Banco Central, a candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), também foi esvaziada e vem sendo considerada com os dias contados. Nem mesmo o seu partido, que namora Alckmin, quer que ele deixe o cargo até 7 de abril para disputar a sucessão de Temer. Até agora, a filiação do ministro da Fazenda ao MDB não saiu do papel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo