15/07/2018 08h11
Usuários já identificam notícias falsas
Mesmo que o WhatsApp ainda seja um instrumento sensÃvel à divulgação das chamadas fake news, os usuários estão cada vez mais "treinados" para identificá-las - pelo menos quando o assunto é polÃtica. O excesso de otimismo, promessas grandiosas, informações sem referência (datas, fontes ou links), erros ortográficos, fotos sensacionalistas e propostas batidas têm causado desconfiança de quem usa o aplicativo.
Ao identificar um desses elementos, ou não concordar ideologicamente com seu conteúdo, o usuário tem evitado o compartilhamento automático de notÃcias e, logo, cogitado se tratar de fraude. Foi o que apontou um levantamento realizado entre passageiros de táxi e usuários do aplicativo.
O dado é alentador para os especialistas em marketing e aqueles que estudam a força do WhatsApp no jogo eleitoral. Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de BrasÃlia (UnB) Bruno Rangel, separar o que é informação do que é fake news ou simples propaganda polÃtica será um dos desafios fundamentais do eleitor. "A solução para o fim da disseminação de notÃcias falsas está muito mais na sociedade do que em normas jurÃdicas ou ações de repressão. Está em um uso mais consciente do aplicativo, um uso que implica não sairmos compartilhando qualquer conteúdo sem o mÃnimo de checagem", afirma.
Para entender o comportamento do eleitor no aplicativo, a agência de comunicação Nova/SB realizou um levantamento por meio do 'dataTáxi' - onde os passageiros respondem perguntas relativas ao tema durante uma viagem de táxi para casa ou trabalho. Entre os dias 11 e 21 de junho foram feitas 30 entrevistas dentro de um táxi. Como complemento, uma sondagem também foi feita por meio de grupos de discussão e questionários.
A reportagem acompanhou duas corridas do 'dataTáxi'. Os passageiros foram recrutados em pontos de ônibus de São Paulo. Eles "trocaram" a participação na pesquisa pela gratuidade da corrida. As perguntas foram feitas por uma pesquisadora sentada no banco do passageiro (em algumas ocasiões, o próprio motorista era quem perguntava).
O bancário Diogo Passos Silva, de 32 anos, por exemplo, participa de diversos grupos de WhatsApp. "A maioria é sobre futebol, mas a polÃtica sempre entra no meio", diz. Silva afirma que prefere não se expor politicamente e, por isso, não compartilha notÃcias sobre o tema. "Mas é fácil saber quando é fake news."
A outra passageira, a estudante Bianca Sousa, de 21 anos, administra 17 grupos de WhatsApp e diz ter cuidado com o que compartilha. "Não gosto de polÃtica, mas se alguém me manda uma notÃcia eu procuro pesquisar se já saiu em algum jornal ou na televisão", diz.
O levantamento mostrou que o WhatsApp é uma ferramenta completamente incorporada na vida das pessoas que vivem nos grandes centros urbanos - e que o conceito de fake news já está bastante difundido entre os eleitores. "O que o 'dataTáxi' mostrou é que ninguém é mais tão inocente. As pessoas estão preocupadas com a credibilidade da informação que consomem. O WhatsApp não será a ferramenta de manipulação que se imaginava", afirma o presidente da Nova/SB, Bob Vieira da Costa.
Além da polÃtica, o levantamento também mostrou que entre os temas mais difundidos no aplicativo (recebido, enviado ou debatido) estão questões familiares, problemas da cidade e o futebol. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo