18/09/2019 20h20
Witzel elogia quem 'cumpre com a palavra' e alfineta PSL
Sem citar expressamente a decisão do PSL de deixar a base de apoio de sua administração, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSL), alfinetou o partido, durante evento nesta quarta-feira, 18, ao elogiar "quem tem lado" e "cumpre com a palavra".
"O deputado estadual Max Lemos (MDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), durante a eleição tinham outro candidato e foram até o fim com o candidato deles. E eu valorizo quem tem lado, quem tem palavra e cumpre com a palavra. Depois de nós vencermos a eleição, o MDB se reuniu comigo, assim como outros partidos, e disse: Governador, grande parte das suas propostas são nossas propostas. Queremos estar juntos do governo. Isso é demonstração de lealdade, de fortalecimento da democracia, e quem ganha com isso é a população", afirmou o governador durante a cerimônia de abertura do 1º Encontro Nacional dos Diretores de Departamentos de HomicÃdios das PolÃcias Civis, realizado na Academia de PolÃcia Sylvio Terra (Acadepol), no centro do Rio.
Em outro momento, Witzel citou o senador Flávio Bolsonaro, presidente estadual do PSL no Rio e responsável pela decisão de deixar a base aliada do governo. O governador agradeceu a Flávio pela articulação que garantiu a aprovação, no Senado, de um projeto de lei que garante a distribuição a Estados e municÃpios de recursos obtidos pelo governo federal com leilões de blocos de exploração de petróleo.
"Agradeço ao Flávio Bolsonaro por isso e por ter caminhado comigo durante as eleições. Lá em Nova Iguaçu nós caminhamos juntos no calçadão, rumo à vitória. Agradeço todo o trabalho do senador. Queria dizer ao Flávio que meu projeto polÃtico é o mesmo dele: governar bem o Rio, juntamente ao Congresso Federal e o Senado da República", concluiu.
Projeto para o Brasil
Dois dias após perder o apoio do PSL, sob acusação de querer disputar a Presidência da República, em 2022, mesmo contra Jair Bolsonaro, Witzel afirmou que o projeto para o Brasil não é seu, mas de seu partido.
O governador afirmou que o PSC tem um projeto para o Brasil: "Não é um projeto Wilson Witzel. Eu apenas sou presidente de honra do partido. O partido tem um projeto para o Brasil", disse.
Caso Marielle
Witzel também criticou a decisão de Raquel Dodge, que na terça-feira, 17, em seu último dia como procuradora-geral da República, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que a investigação dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes seja transferida da PolÃcia Civil do Rio para a PolÃcia Federal.
"Registro a mais absoluta discordância com o pedido de federalização. Com todo respeito à Raquel Dodge, ela está politizando a situação. Será que a PolÃcia Federal vai ser melhor que a PolÃcia Civil?", questionou Witzel.
"Tenho respeito pelos delegados de PolÃcia Federal, mas sabem investigar lavagem de dinheiro, tráfico internacional, corrupção. A PF não tem expertise nenhuma na investigação de crimes de homicÃdio", prosseguiu o governador. "Será que a PolÃcia Federal tem mais capacidade técnica do que as polÃcias para investigar? A PF não tem departamento de homicÃdios", questionou.
Recuperação Fiscal
Witzel negou haver risco de o Estado do Rio ser excluÃdo do Regime de Recuperação Fiscal, como tem sido alertado pelo governo federal: "Se olharmos quais são esses riscos que a Secretaria do Tesouro Nacional está apontando, vamos verificar que é muito pouco, não chega nem a R$ 100 milhões. São bobagenzinhas que serão resolvidas", afirmou o governador.
Fonte: Estadão Conteúdo