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Regional
06/08/2015 15h23

Com Filarmônica de MG, pianista Nelson Freire volta a tocar em Boa Esperança

A jornada do pianista em direção a Boa Esperança começou na quinta.

Rogério nasceu ali mesmo no sul de Minas. Já fez muita coisa, mas, nos últimos quinze anos, tem dirigido um táxi em Boa Esperança. Na manhã de sábado, passando pela Praça do Fórum, fica em dúvida. O palco já está montado, as cadeiras começam a ser colocadas. São três mil. “Acho que não vai dar, não. O pessoal da cidade tá ansioso. O povo aqui não é bobo, não, tem bom gosto. E o homem é filho da terra, né? Parece que já tá aí.”

O filho da terra é o pianista Nelson Freire - e, sim, já estava: chegou na noite de sexta à cidade, onde, no sábado, faria o primeiro concerto em sua terra natal em mais de duas décadas, ao lado da Filarmônica de Minas Gerais. Mas a jornada do pianista em direção a Boa Esperança começou na quinta, quando desembarcou em Belo Horizonte e seguiu direto para a Sala Minas Gerais. Passou a tarde estudando - e tentando se desvencilhar das equipes de TV que o aguardavam. E, no começo da noite, passou pelo lançamento do livro “Nelson Freire: A Pessoa e o Artista”, do amigo - e marido de sua prima Janice - Ricardo Fiúza.

Na manhã de sexta, mais algumas horas de estudo. E uma pausa para conversar com a reportagem. “Acho que é a primeira vez que uma orquestra toca lá e eu queria que fosse assim, em praça pública”, ele diz. E logo se entrega a algumas lembranças. Como a do primeiro recital, no Cine-Teatro Brasil. Ele tinha cinco anos e tocou peças como “La Vie en Rose”, “La Paloma” e “Quizas, Quizas, Quizas”. “Foi um começo cross-over”, ele brinca. “Mas eu me divertia também. A família era grande, eu tinha muitos primos, além dos meus irmãos. Eu adorava andar a cavalo, tomar banho no córrego, partir minhoca no meio e ver as metades se mexendo. Eles matavam passarinho com estilingue, mas isso eu não gostava. Só teve uma vez que eu tirei as asas de uma mosca, fui olhar ela com uma lente e acabei queimando a bichinha.”

A comida era “maravilhosa”. “Só que eu era uma criança doente, tinha muitas alergias. Mas tinha duas coisas de que eu gostava: palmito e ameixa. E arroz, feijão e linguiça, mas tinha que ser a linguiça de Boa Esperança, que era uma delícia.” Pausa. A orquestra está pronta, à espera de Freire. Hora, então, de ensaiar o “Concerto nº 4” de Beethoven, que ele vai interpretar em Boa Esperança, sob regência de Fábio Mechetti. Quarenta minutos depois, ele deixa o palco da Sala Minas Gerais sorridente. “E aí, gostou da interpretação?”, ele pergunta - e segue para o carro que vai levá-lo para o sul de Minas.

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Estadão Conteúdo

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