Em 2015, enquanto muitos adolescentes ainda buscavam compreender o próprio lugar no mundo, uma jovem de apenas 15 anos já transformava sentimentos em literatura. Foi nas páginas do Jornal Correio do Papagaio que Jady Matias de Paula Prado publicou sua primeira crônica: “A Cartomante e o Palhaço” — um texto sensível, maduro e surpreendentemente profundo para alguém tão jovem.

Ali, nas entrelinhas da escrita juvenil, já existia algo maior do que um simples exercício literário. Existia uma visão de mundo.
“A Cartomante e o Palhaço” refletia os contrastes humanos com delicadeza rara: viver uma vida em preto e branco seria apenas sobreviver à rotina; viver uma vida colorida significaria experimentar a intensidade, os afetos, a arte e a humanidade de cada instante. Não era apenas uma crônica adolescente — era um olhar inquieto sobre a condição humana.
Na época da publicação, Jady escreveu em suas redes sociais:
“Mais um sonho realizado! Na edição do dia 16 de julho de 2015, o Jornal Correio do Papagaio publicou um dos meus textos. O primeiro passo para uma caminhada longa e, se por consequência, vitoriosa. ” E foi.
O que começou como amor pelas palavras amadureceu em paixão pela argumentação, pela justiça e pela transformação social. Anos depois, movida pela mesma disciplina silenciosa que a acompanhava desde os tempos da escrita literária, Jady saiu de São Lourenço rumo a Juiz de Fora para perseguir um novo sonho: cursar Direito na Universidade Federal de Juiz de Fora.
A mudança trouxe desafios. Nova cidade, nova rotina, novos obstáculos. Mas a jovem que um dia encontrou abrigo nas palavras também encontrou força no conhecimento. Com dedicação constante, transformou sensibilidade em pensamento crítico e a observação poética em capacidade analítica.
Na graduação em Direito, destacou-se justamente por aquilo que já aparecia em sua antiga crônica: a habilidade de enxergar humanidade onde muitos veem apenas formalidades. Em 24 de abril de 2025, colou grau, encerrando um ciclo acadêmico construído com esforço, persistência e propósito.
Mas a caminhada não terminou ali.
Ainda em 2025, Jady consolidou-se no meio acadêmico ao ingressar na pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal e, em 2026, no mestrado em Direito e Inovação. E talvez exista uma simbologia bonita nisso: a menina que escrevia sobre colorir a vida agora busca colorir também o próprio Direito — tornando normas mais humanas, acessíveis e inclusivas.
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Porque, no fundo, a essência permanece a mesma.
A adolescente que escreveu “A Cartomante e o Palhaço” continua presente na pesquisadora e na mulher que acredita que conhecimento só faz sentido quando serve para melhorar a vida das pessoas.
A trajetória de Jady Matias de Paula Prado mostra que alguns sonhos não mudam de forma — apenas amadurecem. E que, às vezes, uma crônica escrita na juventude pode ser o primeiro capítulo de uma história muito maior.