09/10/2016 09h09
Dante Ozzetti vai lançar 'Amazônia Órbita' no Sesc Pinheiros
O exército de Dante vai colocar uma Amazônia de pé. Serão 19 homens armados de instrumentos de cordas, percussão, sopros, guitarras, violões, sintetizadores. Uma epopeia que no inÃcio parecia inviável: num mundo em que músicos só diminuem a formatação de seus conjuntos para amenizar o impacto da crise, Dante Ozzetti vem com um pelotão. "Não fiz esse disco para fazer show", disse há três meses. Hoje, mudou de ideia. "Vamos fazer o show do Amazônia Órbita, deu certo."
Seu projeto "Amazônia Órbita" será mostrado em noite única na próxima sexta-feira (dia 14), à s 21h, no Sesc Pinheiros. Dante aborda cerca de dez ritmos amapaenses raros, muitos completamente desconhecidos fora dos territórios do Norte. Se ficasse apenas no Amapá, já teria as descobertas do marabaixo e da batucada, mas ele mexeu um pouco mais e chegou ao lundu indÃgena, ao carimbó, ao samba de cacete.
Dante fez suas descobertas enquanto trabalhava como produtor musical e arranjador da cantora PatrÃcia Bastos, filha das tradições amapaenses, que acaba de lançar "Batom Bacaba", elogiado álbum produzido por Dante e Du Moreira. Esses dois discos, "Amazônia Órbita" e "Batom Bacaba", filhos de um mesmo tronco amazônico, podem estar neste momento colocando o Amapá no mapa e estimulando a produção de novos trabalhos. Só da famÃlia de PatrÃcia sairão outros dois. O irmão Paulo Bastos, percussionista e compositor, vem por aà com seu primeiro disco autoral. E a mãe de PatrÃcia, Oneida Bastos, a primeira mulher amapaense a ter um disco gravado, está em estúdio para lançar álbum novo em breve.
"Amazônia" foi gravado entre São Paulo e Belém. Ele tem a participação do Trio Manari, grupo percussivo de maior respeito no Pará, e conta com músicos como Du Moreira (baixo, sintetizador e efeitos), Marta Ozzetti (flauta), Ronaldo Pacheco (fagote), Maria Beraldo (clarinete) e Rubens Mattos (tuba). Uma formação sinfônica executando temas folclóricos? Essa foi a armadilha na qual Dante não caiu.
Há instrumentos de cordas em alguma camada, mas também programações eletrônicas dialogando com instrumentos acústicos. Na verdade, a separação dos três, como se vivessem em mundos distantes, soa algo ultrapassado quando se ouve o quanto podem conversar, completarem-se nos arranjos e estarem próximos. É tudo uma coisa só. A tradição nem sempre está no ritmo, o que seria mais óbvio. As divisões de um marabaixo podem inspirar uma frase no baixo, estar na ponta de uma melodia.
A música de abertura, "Lundu do Marajó", resume esse espÃrito. Estão todos os elementos de Dante por ali, e a sua Amazônia imaginária se torna palpável no ar, emocionante, aventureira, como uma experiência em várias dimensões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo