09:30hs
Quinta Feira, 12 de Fevereiro de 2026

Leia nossas últimas edições

Leia agora o Correio do Papagaio - Edição 1968
Variedades
12/08/2015 09h25

Mostra 'Cerâmicas do Brasil' reúne obras de tribos do Xingu e de Rondônia

A exposição Cerâmicas do Brasil, que A Casa abre nesta quarta, 12, com curadoria de Adélia Borges, é uma pequena mostra do que os artistas do País produzem, das peças zoomorfas dos índios do Xingu aos trabalhos da capixaba Heloísa Galvão, que reveste seus objetos de porcelana e sobre eles imprime delicadas serigrafias, além do design trouvé de Brunno Jahara, que lida com a apropriação duchampiana. Entre os extremos se encontram obras sem qualquer tipo de ornamentação, como os utensílios do povo indígena paiter surui, de Rondônia, e outras de matriz barroca, como as da artista mineira Inês Antonini, passando pelo artesanato popular da comunidade de Muquém, antigo quilombo de União de Palmares em Alagoas.

O conjunto dessas peças reitera não só a ligação entre as culturais ancestrais e a contemporaneidade como elimina a separação entre artesanato e arte. Em termos comparativos, ninguém ousaria dizer que o maior pintor moderno brasileiro, Alfredo Volpi, que fabricava desde suas telas até os pincéis, fosse só um artesão. Do mesmo modo, ao analisar qualquer utensílio dos índios paiter surui, é impossível não notar que a fatura artesanal revela o artista que está por trás da textura dessas peças.

Nesta primeira edição de Cerâmicas do Brasil - a série deve continuar nos próximos anos - a curadora Adélia Borges não foi atrás de nomes consagrados, mas de artistas pouco conhecidos (a exceção é a ceramista Sara Carone, representada no acervo de importantes museus). São oito grupos de artistas que trabalham em diferentes direções, mas que se encontram num ponto de convergência transcultural. É o caso, segundo Adélia, das paneleiras de Goiabeiras (ES), autoras das panelas de barro que servem pratos típicos como a moqueca capixaba - um legado da cultura indígena. Ou da comunidade artesanal do povoado de Muquém, em União dos Palmares.

Como se sabe, o antigo quilombo alagoano não representava apenas uma forma de resistência à barbárie escravocrata, mas um santuário de proteção à cultura dos afrodescendentes. Embora produzam utensílios, os alagoanos Irinéia Nunes da Silva e o marido, Antônio Nunes, são herdeiros dessa tradição. A curadora chama a atenção para uma peça do casal em que uma árvore sustenta em seus galhos os membros da comunidade - e poderia até mesmo ser uma representação dialógica dessa herança, não fosse o registro de uma enchente que assolou União dos Palmares. Irinéia, mulher simples, penetra numa dimensão mítica que remete aos ancestrais africanos. "A comunidade passou a adorar a árvore depois dessa enchente", revela a curadora Adélia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Conteúdo
PUBLICIDADES
SIGA-NOS
CONTATO
Telefone: (35) 99965-4038
E-mail: comercial@correiodopapagaio.com.br